Abordagem multidisciplinar no diagnóstico da fibrose pulmonar

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Dr. Leandro Baptista – Foto por Erika Medeiros

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma forma de pneumopatia intersticial crônica fibrosante, de causa desconhecida, restrita aos pulmões, que acomete preferencialmente homens idosos, com história atual de tabagismo ou ex-tabagistas. A mediana de sobrevida desses pacientes, sem tratamento, é de apenas 2,9 anos, e a maior prevalência da doença é entre 50 a 69 anos de idade.

Os sintomas mais comuns, conforme esclarece o pneumologista e presidente da Unimed Sul capixaba Leandro Baptista, são tosse seca e dispneia (falta de ar) aos esforços. “À medida que a doença avança, o paciente pode apresentar cansaço para atividades diárias, como trocar de roupa ou pequenos deslocamentos dentro de casa. Em alguns casos, é necessário o uso de oxigenoterapia domiciliar”, diz.

De acordo com o especialista, o médico pneumologista suspeita dessa doença durante o exame clínico, quando a ausculta pulmonar evidencia estertores finos em ambos os pulmões. “O som é semelhante à abertura e fechamento de um velcro. Há uma redução no volume de ar dos pulmões e os exames funcionais, como a espirometria, exibem um padrão restritivo na maioria dos pacientes”, aponta.

Para o diagnóstico definitivo de FPI – revela doutor Leandro – é necessário fazer uma abordagem multidisciplinar integrada, envolvendo pneumologistas, radiologistas e patologistas. “A Tomografia Computadorizada de Tórax de Alta Resolução (TCAR) é fundamental”, relata o médico, acrescentando que o diagnóstico de FPI é baseado na ausência de uma causa conhecida de fibrose pulmonar, associado à presença de padrão de Pneumonia Intersticial Usual (PIU) na Tomografia Computadorizada de Tórax ou biópsia pulmonar.

Ainda segundo o pneumologista, é fundamental excluir outras condições, como doenças do tecido conectivo, pneumonite de hipersensibilidade, lesão pulmonar por drogas, asbestose e fibrose pulmonar familiar. As combinações específicas de padrões histopatológicos (biópsia pulmonar) com os observados à TCAR podem fornecer o grau de probabilidade do diagnóstico de FPI.

“Em caso de cansaço aos esforços e tosse seca, há possibilidade de ser uma FPI, sendo necessária uma avaliação com o Pneumologista para investigação, definição do diagnóstico e posterior indicação de tratamento específico”, reforça o especialista.

O tratamento

Conforme ressalta doutor Leandro, há duas medicações anti-fibróticas de alto custo aprovadas para uso no Brasil:  Nintedanibe e Pirfenidona. Essas medicações não curam a doença, mas reduzem a sua progressão e as exacerbações (pioras agudas) que, muitas vezes, requerem internação hospitalar devido à piora da falta de ar e à necessidade de oxigênio.



Jessica Castelo

Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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