Alimentação intuitiva defende relação saudável com a comida

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A nutricionista Amanda Rizzo – foto por Erika Medeiros

Criada por nutricionistas norte-americanas, a alimentação intuitiva é um conceito que defende uma relação saudável com a comida e a reconexão com o seu corpo e os sinais que ele transmite. Essa abordagem é sustentada por diversos trabalhos científicos, e sua principal característica é não incentivar a prática de dietas, e ao invés disso, produzir mudança de comportamento.

Essa mudança, conforme explica a nutricionista Amanda Rizzo, ocorre através de exercícios e práticas que produzem no paciente uma maior “sabedoria corporal”, para que ele saiba melhor distinguir a fome física, a fome emocional ou social. Através desse autoconhecimento, o paciente aprende a respeitar seu corpo, suas emoções e vontades, sempre refletindo sobre o que aquela refeição representa e valorizando o prazer em comer.

“Desde a infância, nós sabemos exatamente como perceber a sensação de fome, o quanto precisamos para nos satisfazer, e sabemos a hora de parar de comer, a hora em que se chega à saciedade. Ao longo dos anos, muitas vezes vamos nos distanciando dessa sintonia e nos alimentamos de acordo com regras externas, de quantidade, qualidade e horário. A abordagem da alimentação intuitiva reconecta a pessoa com esses sinais internos”, explica a profissional.

Conforme salienta a nutricionista, a fome física se manifesta por sinais como dor no estômago, falta de energia, irritação, dor de cabeça e uma sensação de “ vazio”. A fome emocional, por sua vez, é aquela em que esses sinais não estão presentes, e se come para aliviar emoções e sentimentos, como estresse, ansiedade e tristeza, em que geralmente se come mais do que o corpo estaria precisando naquele momento.

De acordo com Amanda, a restrição e proibições – geralmente presentes em dietas – são fortes gatilhos para a compulsão alimentar. “Quando alguém te fala que não pode, é aí que você mais deseja, sem controle. A restrição assusta o cérebro, que se vê em uma situação de privação de comida, e então, induz a pessoa a comer mais e mais para fazer reserva de energia. Por consequência, a prática recorrente de dietas, muitas vezes leva ao efeito sanfona e maior ganho de peso”, afirma.

A alimentação intuitiva, segundo a profissional, é uma abordagem completamente contrária ao terrorismo nutricional, à ideia de que existem alimentos bonzinhos e vilões. A pessoa tem liberdade para escolher, mas sempre se questionando: Eu quero mesmo comer isso? Eu poderia diversificar mais essa refeição? Essa quantidade me fará satisfeito, ou ficarei muito cheio?

“O acompanhamento profissional é de extrema importância, pois há a possibilidade de se confundir a permissão incondicional para comer, com permissividade e descontrole, o que não é o certo. A essência é não se privar e nem exagerar em nenhum alimento ou nutriente. O equilíbrio é o melhor caminho, e nosso corpo sabe disso. A consequência é a melhora da saúde como um todo e manutenção do peso adequado para o paciente”, conclui.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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