Casos de acidentes e lesões no ciclismo tem aumentado após pandemia

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O ciclismo é um esporte que implica em alta velocidade, exigindo reflexos rápidos, presença de obstáculos e curvas desafiadoras. Somando-se a isso, o equipamento de proteção utilizado é bem restrito, apenas o capacete. Portanto, temos uma combinação que favorece lesões traumáticas. Na outra ponta, trata-se de um esporte aeróbio que se caracteriza por um gesto esportivo de repetição (pedalar) e de estabilização com uma total integração com um equipamento em cadeia fechada (bicicleta).

“Com a pandemia da Covid-19, o número de ciclistas tem aumentado de forma exponencial; junto disso aumenta também o número de acidentes e lesões decorrentes do esporte”, explica o ortopedista Vinicios Barreto, do Instituto do Sono. “As lesões traumáticas são mais frequentes no atleta profissional, até porque o tempo na bicicleta e o risco a que ele se submete é maior. No entanto, nas lesões por overuse, como já é visto na maioria dos esportes, há uma inversão desse padrão, e o risco é muito maior nos atletas recreativos”, diz.

Segundo doutor Vinicios, os acidentes são relativamente comuns entre ciclistas e podem ser dramáticos, até mesmo fatais. Podem ser decorrentes de problemas com a bicicleta, do choque contra outros ciclistas ou com veículos automotores. Mesmo lesões graves, podem não transparecer toda a sua gravidade, em um primeiro momento.

As lesões mais comuns no ciclismo, de acordo com o especialista, são a dor lombar, devido à posição sentada com o corpo curvado para a frente. Além disso, ciclistas amadores muitas vezes passam boa parte do dia sentados no trabalho, o que aumenta ainda mais o risco para dor nas costas. “A condromalácia está associada a um banco muito baixo, fazendo com que joelho e quadris fiquem excessivamente flexionados. Já a dor na parte de trás do joelho ocorre quando a banco é muito alto, alongando excessivamente a musculatura posterior da coxa (isquiotibiais) quando o pé estiver em sua posição mais baixa”, explica.

Outra lesão comum, conforme respalda o médico, é a síndrome da banda iliotibial, que é uma inflação do trato iliotibial na região do epicôndilo lateral, levando a uma dor na parte externa do joelho. A configuração inadequada das presilhas, mantendo a perna rodada para dentro, facilita o desenvolvimento do atrito da banda íliotibial.

Doutor Vinicios alerta ainda para a tendinopatia na mão e punho, principalmente quando um excesso de pressão é descarregado no guidão. “Em uma situação ideal, cerca de 60% do peso corporal deve ser apoiado no selim (parte traseira da bicicleta), e 40% no guidão. Quando um excesso de peso é apoiado sobre o guidão, o ciclista pode desenvolver dor no punho. Isso acontece, por exemplo, quando se tem uma bicicleta muito grande em relação ao tamanho do ciclista”, afirma.

A neuropatia pundendal, entorpecimento ou dores na área genital ou retal, conforme salienta o ortopedista, é muito comum nos ciclistas do sexo masculino e é tipicamente causada pela compressão do suprimento de sangue para a região genital. “Nos primeiros sintomas de qualquer uma das lesões mencionadas, deve-se procurar um ortopedista para realizar o tratamento precoce e mudança de postura para evitar ou agravar a lesão. O uso de equipamentos de proteção é de suma importância, pois assim como a motocicleta, os acidentes com bike podem ser fatais”, alerta.

 

Foto por Erika Medeiros

 



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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