Cirurgia metabólica é indicada no tratamento do diabetes tipo 2

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Foto: Erika Medeiros

Há pouco mais de um ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a reconhecer a cirurgia metabólica como um tratamento para o diabetes mellitus tipo 2. O procedimento, que antes possuía caráter experimental, atualmente é classificado como uma técnica não experimental de alto risco e complexidade.

Pacientes com o IMC de 30 a 34.9, classificados como obesos grau 1 e com a idade mínima de 30 anos, podem se submeter à cirurgia metabólica – tanto os que fazem uso de insulina como os que não fazem. A técnica utilizada é o Bypass Gástrico, que conforme explica o cirurgião bariátrico e metabólico André Mattar, é uma técnica mista, que realiza uma redução moderada do estômago e um desvio intestinal.

A obesidade e o diabetes tipo 2 possuem uma relação estreita. Isso porque o excesso de peso contribui para o surgimento da doença, tendo em vista que aumenta a resistência periférica do indivíduo à insulina. “O paciente obeso produz substâncias que causam uma inflamação crônica do organismo, que leva ao aumento da resistência periférica à insulina. A insulina é produzida, mas não age adequadamente”, esclarece o médico.

Vale ressaltar que as complicações da junção obesidade e diabetes são preocupantes. Segundo doutor André, há um aumento de riscos cardiovasculares (infarto e AVC); aumento do risco de infecções e inflamações; aumento de risco de tumores, principalmente os ginecológicos. “A cirurgia metabólica diminui em 80% o risco cardiovascular e de tumores ginecológicos”, aponta.

Falando sobre as contraindicações do procedimento, o cirurgião relata que são somente clínicas. A cirurgia não é indicada, por exemplo, em pacientes com alto risco cirúrgico, com cardiopatia grave ou acamados. Salvo situações desse tipo, qualquer paciente diabético enquadrado nos parâmetros estipulados pelo CFM pode se submeter à cirurgia metabólica.

Com relação aos cuidados pré-operatórios, o especialista informa que o paciente deve passar por uma bateria de exames, avaliações psicológicas, nutricionistas, com endocrinologista, pneumologista, cardiologista e, no caso das mulheres, ginecologista (devido ao risco de tumores ginecológicos), além de participar de reuniões. O pós-operatório envolve um acompanhamento de perto com o médico cirurgião e nutricionista, sendo necessário que o paciente retorne após 15 e 45 dias e depois de três em três meses. Também são feitos exames periódicos para dosar as vitaminas e taxas de glicose, colesterol e triglicerídeos. “É um processo detalhista e minucioso”, ressalta doutor André.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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