Conheça as cinco fases pelas quais passa a pessoa enlutada

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Cilanilda Paschoal

Psicanalista

As notícias de morte nas nações e ao nosso redor, provocadas pela Covid-19 e outras causas, nos trazem muita tristeza e dor. A Dra. Elisabeth Klüber-Ross, psiquiatra suíça radicada nos Estados Unidos, considerada uma das 100 mais importantes pensadoras do século XX, escreveu o livro “Sobre a Morte e o Morrer”, no qual declara que toda pessoa que sofre o luto passa pelas cinco fases para elaborar sua dor.

São elas: Negação (“não pode ser verdade”), na qual a pessoa se recusa a aceitar a notícia. Vive um vai e vem de emoções, sentimentos e pensamentos contraditórios. Raiva: Ira. Revolta. Ressentimentos. Inveja. “Por que eu?” – Nessa fase, a pessoa fica zangada, revoltada, ressentida com Deus, com a família, com os médicos, com a igreja, enfim, projeta sua dor em forma de raiva contra os que estão ao seu redor. E os mais próximos podem sofrer muito. Familiares, amigos e irmãos precisam se conscientizar que esta fase vai passar.

Barganha, negociação: “Deus, me dê mais uma oportunidade”. “Se o Senhor me livrar disso, eu prometo…” – Aqui, a pessoa faz um pacto em segredo com Deus: “Se o Senhor me der mais uma chance, vou ser missionário, vou atualizar os dízimos, consertar de vez minha vida…” E por aí vai. Ou então promete ao outro que vai mudar mesmo e implora: “Só mais um dia, só mais uma chance”.

Depressão: “Não quero ver ninguém”; “minha vida acabou!” – A pessoa se isola, não quer ver nem falar com ninguém. Ela não pode negar, nem se revoltar. É tempo de introspecção e isolamento. Aceitação: A pessoa assume, finalmente, depois de muitas lágrimas e sofrimentos variados, que fez tudo que era possível na época, e perdoa a si mesma pelo que não fez.

Cada pessoa é única. Não há um tempo definido até chegar à fase da aceitação. Entretanto, cada um tem que tomar os remédios para a dor do luto e da perda, pois o tempo por si só não cura as dores de nossa alma. É preciso caminhar sempre. Familiares, amigos, a igreja, a Palavra de Deus, conselheiros, intercessores e boa disposição de seguir adiante ajudam e muito.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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