Conheça o procedimento que melhora a dor provocada pela lombalgia facetária

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O ortopedista e cirurgião da coluna Aldo Calado – Foto por Erika Medeiros

A dor lombar primária inespecífica é aquela que tem como causa alterações degenerativas nos discos, nas facetas ou contraturas musculares (miofaciais). A diferenciação entre essas causas de dor é um desafio para o médico. A lombalgia facetária, aquela causada por alterações na região das facetas, corresponde a aproximadamente 15% das lombalgias primárias inespecíficas e em geral acomete pacientes com mais de 50 anos.

“O quadro clínico do paciente com dor facetária, em geral, é de dor em repouso ou pela manhã, com melhora com a atividade física”, revela o ortopedista e cirurgião da coluna Aldo Calado, da Clínica Ortotrauma. “O paciente pode relatar piora com a extensão da coluna e melhora com a flexão, e a dor pode ainda irradiar para a região das nádegas e face posterior da coxa sem, no entanto, haver qualquer compressão nervosa”, explica.

Conforme salienta o especialista, para realizar o diagnóstico preciso de dor facetária, no entanto, é preciso mais que a avaliação clínica do paciente, é necessário a realização de um bloqueio anestésico do ramo medial. “O ramo medial é um nervo localizado próximo a cada articulação facetária e é responsável pela sensibilidade destas articulações”, expressa.

O bloqueio, de acordo com doutor Aldo, corresponde a injeção de anestésico (lidocaína ou bupivacaína) diretamente na bainha do nervo. Para isso, faz-se necessária a utilização da radioscopia (RX) para a localização precisa deste ramo nervoso. “Se o paciente melhorar com o bloqueio anestésico, então, pode-se dizer que este tem o diagnóstico de lombalgia facetaria”, expõe.

Ainda segundo o ortopedista, a neurólise ou rizotomia facetária corresponde a lesão térmica do ramo medial de cada faceta acometida. Se a lesão for realizada da maneira correta, haverá uma diminuição na sensibilidade destas articulações  e, consequentemente, melhora do quadro de dor do paciente. “Esta lesão é realizada através de técnicas percutâneas, ou seja, não há necessidade de corte na pele. O procedimento tem que ser realizado em ambiente de centro cirúrgico com uma sedação leve e com o paciente consciente”, relata.

A técnica

“É realizado um bloqueio local com anestésico na pele e, então, com auxílio da radioscopia (RX) coloca-se uma ou mais agulhas de rizotomia direcionadas para os ramos mediais de cada vértebra. Então, por dentro desta agulha é inserido o neurótomo, que nada mais é que um eletrodo, montado na ponta de uma agulha que esquenta rapidamente de forma controlada realizando uma lesão térmica local. O tempo total do procedimento em geral é de 30 minutos e o paciente não precisa permanecer internado, podendo ter alta no mesmo dia”, esclarece doutor Aldo Calado.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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