Depressão em cuidadores de pacientes com Alzheimer

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Há vários desafios inerentes ao ato de cuidar de um familiar com uma doença degenerativa – e todos eles podem afetar emocionalmente o cuidador. A própria doença desafia a todo momento pois, apesar dela, o familiar cuidador precisa estar forte para conseguir exercer o cuidado ao mesmo tempo em que processa essa dor. Outros desafios, segundo a psiquiatra Débora Sena, incluem a divisão de tarefas entre membros da família para que não sobrecarregue apenas um dos indivíduos e questões financeiras, que se tornam urgentes à medida que se necessita de acompanhamento de vários profissionais.

“Além disso, há o cansaço que surge pelo cuidar; administrar o tempo de cuidado e de outros afazeres domésticos e/ou de trabalho; e estabelecer limites para a própria saúde a fim de cuidar de si mesmo também – e, claro, não se sentir culpado por isso”, argumenta a especialista.

Segundo um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP, cuidadores de pacientes com Alzheimer apresentam sintomas de ansiedade e têm cerca de cinco vezes mais chances de terem depressão. Para a psiquiatra, é de se esperar que os sintomas de ansiedade sejam mais frequentes em cuidadores, quando comparados com os que não exercem cuidados de terceiros.

Isso porque se trata de uma função associada a uma grande carga de estresse, ansiedade, cobrança, cansaço físico e emocional, desgaste pessoal e, muitas vezes familiar. Além do mais, os cuidadores costumam ter menos tempo para si e costumam postergar o cuidado de suas próprias necessidades.

No que diz respeito aos sinais que o cuidador deve observar em si para procurar a ajuda de um psiquiatra, doutora Débora alerta para o padrão de sono, de apetite, de vontades, de humor e de produtividade. “Ou seja, se passamos a apresentar insônia, a comer compulsivamente ou nos alimentar menos, ou se perdemos o interesse por atividades antes prazerosas, se desejamos estar isolados, se nos sentimos irritados ou tristes ou, ainda, se deixamos de ‘dar conta’ de nossos afazeres usuais, temos muitos sinais de alerta para buscarmos ajuda profissional ou de grupos de apoio”, orienta.

Cuide de si

A fim de diminuir as chances de desenvolver ansiedade e depressão, os cuidadores precisam respeitar os limites de seu corpo. “Isso quer dizer que devemos tentar ao máximo manter as atividades de lazer, o exercício físico, o cuidado com a própria saúde, alimentação balanceada e, se possível, boas noites de sono”, explana doutora Débora, acrescentando: “sempre vale lembrar que a ajuda de um profissional de saúde mental ou de grupos de apoio podem ajudar a cuidar da mente e, portanto, a diminuir níveis de ansiedade e estresse”.

Foto: Jonathan Lessa



A revista Viver! é publicada mensalmente há mais de 17 anos com circulação no Espírito Santo. Trata-se de uma das mais importantes revistas de saúde do Brasil, com centenas de especialistas em prol do dilema "Informação que faz bem".


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