Especialista esclarece dúvidas comuns sobre a catarata

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O oftalmologista Paulo Ney Viana Filho – Foto por Erika Medeiros

1 – A catarata pode voltar após algum tempo?

Dr. Paulo: Não. A partir do momento em que você retira a catarata, ela não volta mais. Na cirurgia remove-se o cristalino e o substitui por uma lente intraocular. O que pode acontecer em alguns casos, é que a cápsula onde é implantada a lente, com o tempo, pode escurecer, levando à necessidade de fazer uma limpeza da mesma. Essa limpeza é feita com um laser chamado Yag.

2 – O que são as lentes Premium e quais as suas vantagens?

Dr. Paulo: Com o surgimento da técnica de facoemulsificação vieram as lentes Premium. Com os avanços da cirurgia, os equipamentos para cálculo de lente também melhoraram muito. Com isso, hoje temos lentes que conseguem corrigir o astigmatismo: as de foco estendido, que corrigem a visão para longe e intermediária; e as trifocais. Ressalta-se que mesmo com o implante das lentes Premium, existe a necessidade de óculos para descanso.

3 – A lente intraocular pode se deslocar depois de implantada?

Dr. Paulo: É pouco provável que isso aconteça. Pode ocorrer em alguns casos de trauma, como tivemos um caso recentemente. O paciente teve sua lente deslocada após sofrer um trauma. Mas conseguimos reposicionar a lente. Vale ressaltar que tanto a lente intraocular quanto o cristalino, que é a lente natural dos olhos, com o trauma podem se deslocar mesmo.

4 – O banho de piscina é proibido na primeira semana após a cirurgia?

Dr. Paulo: Na primeira semana o banho de piscina e mar é sim proibido. É preferível que o paciente permaneça em casa nesse período. Pode ler, pode assistir à TV, pode subir alguns poucos lances de escada. Mas academia, hidroginástica, piscina, eu proíbo por cerca de 30 dias, a não ser que o paciente fique sem molhar os olhos.

5 – É verdade que o pós-operatório exige cuidado até na hora de dormir?

Dr. Paulo: Na realidade, toda cirurgia depende de um cuidado grande. O pós-operatório é um período muito importante. Para facilitar a vida do paciente, eu entrego três equipamentos que ajudam a evitar que ele coce ou aperte os olhos: óculos escuros para usar durante o dia no sol, óculos claros para usar à noite e um tampão para proteger os olhos na hora de dormir.

6 – A visão é recuperada logo após a cirurgia?

Dr. Paulo: Cada caso é um caso. Existem cataratas mais duras, que tornam mais difícil quebrar o cristalino e podem ocasionar um edema de córnea, o que impede uma visão boa nas primeiras horas. Mas em geral, com a técnica e equipamentos que usamos hoje, a grande maioria dos pacientes com 24 horas estão com a visão muito boa.

7 – Por fim, fale brevemente sobre como a cirurgia de catarata aumenta a qualidade de vida dos indivíduos:

Dr. Paulo: Recentemente uma paciente me pediu um abraço, por estar tão feliz por conseguir enxergar tão bem, como nunca antes. É muito comum ouvirmos relatos assim, o que nos deixa muito felizes. Hoje com as lentes Premium, as pessoas conseguem, muitas vezes, ler e escrever sem os óculos. Claro que não é uma regra geral, pois cada paciente tem uma sensibilidade diferente ao contraste. Mesmo usando a lente Premium, não é regra geral que o paciente vai ficar sem os óculos. Mas posso afirmar que os pacientes têm ficado muito satisfeitos, o que nos deixa muito honrados.

Avanços palpáveis

Falando sobre os avanços na cirurgia de catarata ao longo das décadas, doutor Paulo Ney Viana Filho relata: “Na época do meu pai, uns 40 anos atrás, retirava-se todo o cristalino. Era uma cirurgia que dava um resultado muito ruim, não implantava lente, descolava a retina. Depois veio a facectomia, que era a retirada de catarata com implante de lente intraocular, na qual você abria o olho todo, retirava o cristalino, implantava uma lente, e fechava o olho. O implante dessa lente ajudava a impedir várias complicações da cirurgia, mas ainda era uma cirurgia em que se dava entre cinco a sete pontos e que ainda complicava muito”.

Depois, conforme explana o especialista, veio a facoemulsificação. “Trata-se da cirurgia que a gente faz hoje. Ao invés de retirar o cristalino, você o emulsifica (quebra) dentro do olho do paciente. Automaticamente, é um procedimento bem menos invasivo, no qual conseguimos implantar a lente em uma cirurgia mais rápida, mais tranquila e mais segura”, completa.

 

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