Especialistas esclarecem dúvidas e receios sobre a ostomia

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Cerca de 400 mil pessoas ostomizadas vivem no Brasil atualmente, de acordo com uma estimativa da Associação Brasileira de Ostomizados. É possível que você, leitor, conheça uma delas. Apesar de ser um procedimento que ajuda a salvar vidas, a ostomia de eliminação é cercada de tabus e preconceito. Para desmistificar o assunto, convidamos os coloproctologistas e cirurgiões gerais Alcides Barata e Gediel Xavier, da clínica Gastrosul.

Palavra grega que significa abertura, ostomia é um procedimento cirúrgico com o objetivo de criar uma comunicação entre um órgão visceral com a parede abdominal. Conforme listam os doutores Alcides e Gediel, existem as ostomias de nutrição (gastrostomia e jejunostomia), as de drenagem (traqueostomia e cecostomia) e de eliminação (ileostomia, colostomia e urostomia). “A primeira é para fornecer o alimento quando não se pode mais usar a via oral, a segunda é para possibilitar a respiração e a terceira é para eliminar o conteúdo do intestino, quando não se pode mais usar o ânus e o reto”, explicam.

Destacando-se a ostomia de eliminação, que é temida por muitos por não entenderem bem sua finalidade e funcionamento, os especialistas esclarecem que se trata de um desvio do trânsito intestinal com a função de proteger uma anastomose (emenda do intestino) ou uma área doente do intestino. “As ostomias podem ser temporárias, sendo revertidas após alguns meses com a reconstrução do trânsito intestinal, ou definitivas – para a vida toda”, informam.

Mas afinal, o que leva à necessidade da ostomia de eliminação? “Existem várias indicações, sendo as principais o trauma abdominal por arma de fogo, arma branca ou acidentes de trânsito; doenças do aparelho digestivo como Doença de Chron, Retocolite Ulcerativa, Doença Diverticular dos Cólons e Câncer”, enumeram os médicos, ressaltando que de acordo com a região do intestino onde se faz ostomia, ela pode ser Ileostomia ou Colostomia (de proteção ou terapêutica).

De acordo com os especialistas, muitas pessoas que têm indicação de cirurgia intestinal ficam com temor de serem ostomizadas. “No século passado essa era uma realidade muito frequente, mas atualmente com o desenvolvimento tecnológico nas cirurgias eletivas (programadas) ficou muito raro ter que fazer uma ostomia. E quando acontece, essa ostomia na maioria das vezes será temporária”, elucidam.

Mas se ocorrer de ter que ser definitiva, não há o que temer – ressaltam os cirurgiões gerais e coloproctologistas. “Atualmente existe um número muito grande de equipamentos e acessórios para os ostomizados – desde bolsas que se adaptam à pele, desodorizantes, pastas e pó que ajudam a bolsa a fixar, possibilitando à pessoa ostomizada levar uma vida plena e segura”, afirmam.

“Os ostomizados têm direitos assegurados pelo estatuto e contam com associações a nível mundial (International Ostomy Association), nacional (Associação Brasileira de Ostomizados – Abraso), estadual (Associação de Ostomizados do Espírito Santo) e municipal (Associação de Ostomizados de Cachoeiro de Itapemirim)”, respaldam os doutores Alcides e Gediel.

 

Quebrando tabus

  • Conforme salientam os especialistas da Gastrosul, os ostomizados podem perfeitamente: trabalhar; fazer exercícios físicos; namorar; passear e viajar mundo afora.
  • As bolsas coletoras não eliminam mau odor, não vazam resíduos e são completamente seguras.
  • Não é necessário trocar a bolsinha a cada uso; basta esvaziá-la e mantê-la higienizada.

 

Dia do Ostomizado

Você sabia? O Dia Mundial do Ostomizado é comemorado em outubro – no primeiro sábado do mês. Criada pela Associação Internacional de Ostomizados (International Ostomy Association – IOA) em 2016, a data anualmente aborda temas para a conscientização da população e integração do ostomizado à sociedade.

Em 2016, o tema foi – em uma interpretação livre – “Lutando contra o tabu do cocô”, em 2017 “Super estomas” e em 2018 o tema foi “Falar muda vidas”.

Além do dia mundial, os ostomizados também contam com seu dia nacional em nosso país. A Lei número 11.506, de 19 de julho de 2007 definiu, em homenagem à fundação da Sociedade Brasileira dos Ostomizados, fundada em 1985, o dia 16 de novembro como o Dia Nacional do Ostomizado. Os principais objetivos desta lei são mobilizar a população brasileira para conhecer, respeitar e combater o preconceito contra a comunidade de ostomizados.

A Gastrosul está localizada na Rua Dr. José Paes Barreto, 01, centro – Cachoeiro de Itapemirim (ES). Telefone para contato: (28)3521-7776. Site: www.gastrosul.com.br.

Fotos por Erika Medeiros



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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