Fisioterapia atua no desenvolvimento motor na Síndrome de Down

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No Brasil, a cada 700 nascimentos em um ocorre o caso de trissomia 21, o que totaliza em torno de 270 mil pessoas com síndrome de Down. “Muitos acham que existem graus na classificação da Síndrome, porém, entre as pessoas com deficiência existe grande variabilidade, mas nunca se deve falar em graus, existe variação de alguns indivíduos em relação a outros, assim como acontece na população geral”, esclarece o fisioterapeuta Michel Morine, da Vitallefisio.

Como características físicas, conforme relata doutor Michel, observa-se na criança com Down a presença de cabelos lisos e finos, cabeça achatada na parte de trás, olhos puxados, nariz pequeno e achatado, orelhas pequenas e localizadas na linha abaixo dos olhos.

“Outras características são o céu da boca mais encurvado, menor número de dentes, podendo acontecer de terem língua para fora da boca, pescoço com muita gordura na nuca, mãos com maior dobra do quinto dedo e uma única linha na palma da mão; nos pés há uma grande separação entre o primeiro e segundo dedos, e tônus muscular hipotônico”, descreve o fisioterapeuta.

Devido a hipotonia muscular, os bebês com Down nascem mais “molinhos”. Também há frouxidão dos ligamentos (juntas flexíveis). Nesse sentido, a fisioterapia se torna primordial, pois o bebê tende a manter uma postura mais relaxada, já que seus músculos são menos tensionados e as articulações são mais frouxas.

O fisioterapeuta explica ainda que a fisioterapia pode colaborar especificamente para o desenvolvimento motor da criança, ajudando-a a se movimentar de maneira correta e no fortalecimento físico. “No entanto, ressaltamos que o bebê só deve iniciar a atividade após autorização do médico que o acompanha. Pois muitos nascem com algum tipo de cardiopatia grave, por exemplo, e qualquer exercício é contraindicado até que o problema seja tratado”, ressalta.

De acordo com o profissional, quando o bebê se encontra totalmente estável no âmbito cardíaco, pode começar a fisioterapia desde o nascimento. Dessa forma, com os exercícios, conseguirá sustentar o pescoço, rolar, sentar-se, arrastar-se, engatinhar, ficar em pé e andar, minimizando os efeitos motores da síndrome de Down.

“Nos primeiros seis meses de vida, as atividades propostas na fisioterapia são chamadas de estimulação precoce, pois devem começar já desde o nascimento. A fisioterapia pode facilitar o desenvolvimento motor do bebê por meio de exercícios em casa, onde o profissional irá treinar os pais para trabalharem a postura na hora da alimentação e do sono, estimulando o cognitivo através de brincadeiras lúdicas com o objetivo de estimulação”, completa doutor Michel.

Conscientização

Observado no dia 21 de março, o Dia Internacional da Síndrome de Down foi criado pela Down Syndrome International e reconhecido pela ONU, com o objetivo de organizar em todo o mundo atividades e eventos para aumentar a conscientização e criar uma voz global única para defender os direitos, inclusão e bem estar dos portadores da síndrome.

 

O fisioterapeuta Michel Morine e sua pequena paciente Anna D’Avila Rabbi

Foto por Erika Medeiros



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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