Problemas como DTM e bruxismo são muito comuns em crianças

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Ao contrário do que se pensa, a infância não é um período livre de dificuldades. Pelo menos, não quando o assunto é a saúde dos dentes. “Esse é o momento em que problemas bucais são cada vez mais frequentes e, no caso do bruxismo, relacionado diretamente a cenários bem específicos”, revela doutora Leticia Gazola Eller Pinto, especialista em ortodontia, disfunção temporomandibular e dor orofacial.

Um dos fatores de risco citados pela ortodontista é a mudança de escola. “Mudar pode ser assustador em qualquer faixa etária, certo? Se até os adultos não gostam de sair da zona de conforto, com as crianças não é diferente. A troca de ambiente escolar, por exemplo, é capaz de resultar em estresse e ansiedade, que são os principais fatores que levam ao bruxismo”, explica.

Outro contexto que influencia bastante, segundo a especialista, é o familiar. Quando a criança está exposta a condições de tensão, a inquietação pode se manifestar por meio do ranger e/ou apertamento de dentes. Nesses casos, uma dica é válida para todos. “Um ambiente familiar saudável previne não só o bruxismo e a DTM, mas uma série de problemas físicos e psicológicos não só em crianças, como também em adultos”, orienta doutora Letícia.

O terceiro fator de risco é o divórcio dos pais. “Quem já passou por isso sabe: muita coisa muda na rotina quando os pais se separam. O processo, como um todo, consegue ser bem doloroso para todas as partes envolvidas, e é comum que as crianças nem sempre saibam como lidar com esse momento. O estresse da situação, infelizmente, pode trazer consequências para a saúde bucal”, relata a odontóloga.

Em quarto lugar estão pais dependentes químicos. De acordo com a especialista, vícios como o de álcool e drogas são a porta de entrada para conflitos e momentos bastante desagradáveis dentro do lar. A realidade dos dependentes químicos acaba afetando todos ao redor e os pequenos, mesmo que indiretamente, são prejudicados em várias áreas.

Por último e não menos importante, a ortodontista menciona o bullying na escola ou em casa. “Ele até se disfarça de brincadeira, mas é assunto sério. Se o paciente sofre bullying na escola, ou mesmo na própria casa, os reflexos são diretos na autoestima e, por vezes, no corpo. A sensação constante de intimidação é capaz de provocar a aflição que, mais tarde, culmina no bruxismo ainda na infância”, alerta.

Prevenção começa na observação

Mesmo parecendo inofensivo, esse transtorno não deve ser ignorado. Existe um desgaste natural que os dentes de leite sofrem. Porém, o paciente com bruxismo infantil acelera muito esse processo, o que leva a uma série de outros problemas. Assim, para impedir o surgimento de mais complicações, muita atenção.

O recomendado é que se observe a criança, seu sono, seu comportamento, e que se respeite o tempo recomendado para a visita ao dentista. Se surgirem quaisquer dúvidas ou suspeitas de que a disfunção esteja sendo desenvolvida, os pais devem imediatamente procurar ajuda profissional especializada. 



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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