Problemas de vista afetam o aprendizado da criança. Fique atento!

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Dr. Fernando Lemgruber – Foto por Erika Medeiros

A visão na infância permite que a criança descubra o mundo. É necessário para o seu bom desenvolvimento escolar que a visão seja precisa. Vale ressaltar que a visão normal da criança para a sua percepção é a forma como ele vê as coisas, mesmo que esta não seja 100%. Sem um exame oftalmológico não há uma confrontação com o que é realmente a visão normal. A Sociedade Brasileira de Pediatria atualmente recomenda, entre os três a quatro anos de idade, uma avaliação de rotina mesmo que não se tenha queixas visuais para esta identificação precoce de alguma alteração.

O oftalmologista Fernando Lemgruber explica que a criança apresenta o globo ocular proporcionalmente pequeno. “O crescimento dos olhos acontece na primeira infância. Boa parte das crianças são hipermetropes, exatamente por ter o globo ocular menor do que deveriam ser. Até uma certa idade, o globo atinge seu tamanho natural. Isso geralmente acontece na fase da adolescência até a idade adulta. Nestas fases, podem ser surgir e serem identificados alguns problemas visuais como hipermetropia, astigmatismo e miopia”, ressalta.

A dica do especialista aos pais e professores para identificar alguma alteração é o comportamento da criança na escola: não conseguir visualizar o quadro, copiar do caderno do colega, trazer os objetos muito próximos aos olhos para visualizá-los, chamam a atenção. “De uma forma bem simples pode-se ficar a seis passos do seu filho e mostrar o seu dedo indicador pedindo que ele também aponte na mesma direção (para cima, baixo, direita e esquerda). Importante fazer este ‘teste’ com os dois olhos abertos e depois com um de cada vez, já que a alteração pode ser unilateral”, recomenda.

Outro alerta importante de doutor Fernando diz respeito aos traumas oculares. “Traumas oculares ocasionados pela própria criança por objetos pontiagudos, embalagens de produtos ou quinas de móveis, ou por outras crianças em brincadeiras são frequentes. O resultado pode ser desde um arranhão na córnea até o desencadear de doenças, como a catarata precoce e o glaucoma (dependendo da gravidade). Alguns sinais de alerta e que levam à necessidade de ajuda médica são alterações na visão, na motilidade dos olhos, no brilho da córnea, queixa de dor ou desconforto ao piscar, entre outros”, diz.

Por fim, um último alerta do oftalmologista é sobre o prurido ocular, ou seja, o hábito de coçar os olhos muito comum em crianças com alergias. Se intensos e duradouros, podem levar ao desenvolvimento de alterações estruturais oculares, especialmente na córnea, como o ceratocone. Os principais fatores de risco para o aparecimento do ceratocone, conforme salienta o médico, são genéticos (predisposição genética) associados à fricção ocular, ou seja, o hábito de coçar e esfregar os olhos. Deve ser realizado o tratamento da alergia ocular a fim de se evitar este hábito.



Jessica Castelo

Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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