Psicoterapia pode ajudar a lidar com o vazio existencial

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Kelly Vargas Wandermuren

Psicóloga da clínica Kardios

Foto por Erika Medeiros

Reproduzimos cotidianamente o discurso de que andamos cheios! Cheios de raiva pela corrupção, cheios de misericórdia com os vitimados pelo sistema, cheios de planos, metas, cheios de informação de um tempo digitalizado, mas, não menos opressor. Cheios, cheios, transbordando, mas, ainda assim nos queixamos do vazio que preenche espaços e por vezes adoece.

Assim, passamos noites sem dormir, procuramos preencher o vazio com trabalho, bens materiais, metas a curto, médio e longo prazo. Quando a dor desse vazio é demasiadamente grande, recorremos aos remédios para mascará-la, ou, em casos mais graves às drogas ilícitas.

Essa percepção não é nova, mas pelo frenesi atual, tem se mostrado mais antagônica. Pensemos na solidão! Esse “lugar” em que muitos experimentam um sentido de introspecção que ajuda a criatividade e traz benefícios extraordinários já foi suprimido há tempos. Necessitamos ser vistos por redes sociais na tentativa de ludibriarmos o tal vazio. Com isso soterramos nossas inquietações com uma série de ações que não satisfazem. 

Alguns ainda conseguem recorrer a estratégias mais nobres, usam da fé, de obras beneficentes, de produções artísticas para falar de suas angústias e achar um sentido para elas. Outros, porém amarram-se numa felicidade artificializada e perdem-se de si mesmos.

A psicologia, especialmente a psicoterapia, pode ajudar esse homem angustiado a reencontrar-se. É muito prazeroso como psicóloga poder fazer parte desse processo de “vir a ser”. Ajudar a costurar ou reescrever histórias, propiciar ao cliente um espaço para o reencontro consigo, a sofrer de forma adequada a dor que este insiste em soterrar.

Não sofra sozinho ou cubra com pano o seu sofrimento! Procure ajuda psicológica e seja autêntico consigo mesmo, ou, nas palavras de Kierkegaard (1845): “ Acima de tudo, não se esqueça da obrigação de amar a si mesmo”. 



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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