Terapia regenerativa pode combater a osteoartrose do joelho

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Foto: Erika Medeiros

Num cenário onde a terapia regenerativa se tornou uma das áreas que mais crescem na medicina, destacam-se as terapias biológicas relacionadas ao tratamento da artrose no Brasil. Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná desenvolveram, em 2013, as primeiras células-tronco em laboratório do país.

Desde então, os estudos sobre a literatura ortopédica sugerem, cada vez mais, a eficácia da terapia aliada ao tratamento da osteoartrose do joelho. Segundo o ortopedista Saulo Blunck, do Instituto do Joelho, trata-se de um quadro prevalente na população idosa. “É considerada uma das doenças que mais afetam a qualidade de vida dos portadores, causando dor e limitação funcional”, diz.

O especialista explica que em suas fases iniciais, a patologia pode comprometer uma única área do joelho. Entretanto, não é incomum que evolua até o comprometimento total da articulação. “Devido seu caráter progressivo, abordagens como a terapia regenerativa podem retardar, impedir e até mesmo reverter a evolução da osteoartrose”, revela.

Apesar de o tratamento com células-tronco ter evoluído muito nos últimos anos, acredita-se que no futuro novas pesquisas possam trazer ainda mais resultados. E não apenas as células-tronco, mas também abrangendo outras terapias biológicas, como a utilização do plasma rico em plaquetas e do soro condicionado autólogo – conforme relata doutor Saulo.

“Quanto à aplicação das células-tronco, uma das bases do processo de reparo e regeneração tecidual é a utilização de população celular apropriada. No caso de lesão da unidade osteocondral (superfície articular), por exemplo, uma das respostas do organismo consiste em aporte rápido de células-tronco mesenquimais adultas na área da lesão, formação de tecido fibrocartilaginoso e vascularização”, elucida o médico.

Ainda de acordo com o ortopedista, a resposta pode resultar na formação de crescimento e espessamento do osso subcondral, além da formação de osteófitos intralesionais. Diversos estudos demonstram que as células-tronco mesenquimais adultas têm sua diferenciação relacionada às linhagens celulares (osteogênica, condrogênica, miogênica e adipogênica).

Conforme salienta doutor Saulo, vale lembrar que elas dependem, ainda, das condições em que o cultivo celular é realizado. Daí compreende-se que o meio em que a célula-tronco mesenquimal adulta está inserida deverá induzir a linhagem de diferenciação celular.



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