Tontura e náuseas são alguns dos sintomas da “labirintite”

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A otorrino Gabriela Narciso – foto por Erika Medeiros

O equilíbrio do nosso organismo acontece quando alguns órgãos captam informações sobre a posição corporal e enviam ao cérebro. O cérebro, por sua vez, é responsável por processá-las. E o labirinto possui um papel fundamental nesse sentido, pois é ele que detecta a posição da nossa cabeça em relação ao restante do organismo. Quando o labirinto sofre uma inflamação, sintomas como tontura, vertigem e desequilíbrio aparecem.

Existem diversas doenças que acometem o labirinto. De acordo com a otorrinolaringologista Gabriela Narciso Simão, da clínica Cemes – que atualmente está cursando Fellowship em otoneurologia na Unifesp – apesar de ser usado popularmente, o termo “labirintite” não é o mais adequado quando nos referimos às causas mais comuns de tontura ou vertigem.

Labirintite é quando ocorre uma infecção do ouvido que acomete o labirinto e causa vertigem de forte intensidade, geralmente incapacitante, além de náuseas e vômitos, podendo apresentar ainda dor de ouvido e febre. Segundo a especialista, entre as causas de tontura, a labirintite verdadeira não está nem entre as 10 mais frequentes. 

“Existe uma gama de doenças relacionadas ao labirinto. A mais comum é a VPPB (vertigem postural paroxística benigna), causando vertigem de curta duração, desencadeada por determinados movimentos da cabeça”, esclarece doutora Gabriela. “O tratamento dessa condição é realizado com manobras de reposicionamento”, relata.

Outras causas frequentes de tontura – esclarece a médica – são a migrânea vestibular, geralmente relacionada à enxaqueca, e a doença de Menière, que pode cursar com perda auditiva e zumbido associados. Alguns quadros neurológicos, doenças metabólicas ou condições autoimunes também podem apresentar comprometimento da função do labirinto. “Diabetes e hipertensão, além de distúrbios da tireoide, hipoglicemia, entre outras, podem manifestar vertigem ou tontura, assim como alimentação rica em açúcar e cafeína”, aponta doutora Gabriela.

Conforme salienta a especialista, o diagnóstico das doenças do labirinto é principalmente clínico, de acordo com a história e exame físico, mas em alguns casos, é necessária a realização de exames complementares. “A audiometria é o primeiro exame complementar quando existe a queixa de tontura, principalmente quando há sintomas auditivos associados. Já o exame otoneurológico avalia a função vestibular e auxilia na indicação do tratamento mais adequado”, relata.

No que diz respeito ao tratamento, a otorrinolaringologista explica que varia de acordo com a causa. “Vale ressaltar que, devido a sua ampla abrangência, o tratamento das doenças do labirinto é multidisciplinar, com a atuação do otorrinolaringologista, neurologista, endocrinologista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, entre outros”, finaliza.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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