Vacinação: a melhor saída para atual crise na saúde mundial

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Wagner Medeiros Junior

Superintendente do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim/ Economista e Especialista em Gestão de Saúde

 

 

 

Até o dia 15 de janeiro do ano corrente, a vacinação contra a Covid-19 já havia começado em 50 países, totalizando cerca de 55 milhões de pessoas imunizadas. Na América Latina, apenas quatro países estão nesse grupo: Argentina, Chile, Costa Rica e México, que iniciaram suas campanhas de vacinação em sequência aos países desenvolvidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esses 50 países correspondem a 26% dos membros daquela organização.

O primeiro país do hemisfério ocidental a iniciar a imunização foi a Inglaterra, no dia 8 de dezembro do ano passado. Até o meio de janeiro, em todo o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte), cerca de 6,0 milhões de pessoas foram vacinadas. E as vacinas da Covid-19 aprovadas até aqui por vários órgãos reguladores, em caráter emergencial, graças a atuação desses governos, não tardarão a começar a apresentar os primeiros resultados, como a consequente diminuição de casos e do número de mortes em decorrência do novo coronavírus.

No Brasil, para desalento da população – principalmente dos grupos de maior risco – observa-se um importantíssimo atraso. Vale lembrar que o chamado Plano de Operacionalização da Vacina Contra a Covid-19 só foi apresentado à imprensa no último dia 16 de dezembro, em solenidade pública do Palácio do Planalto. Naquela ocasião, diversos países no mundo já trabalhavam efetivamente na imunização de suas populações. A verdade é que nosso governo priorizou a politização da vacina. As questões principais foram colocadas em segunda ordem.

Talvez esta seja a razão para que o Plano de Operacionalização da Vacina Contra a Covid-19, lançado com tanta pompa pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde Eduardo Pazuello, tenha recebido tantas críticas das maiores autoridades do setor de saúde do Brasil, haja vista que foi concebido com enormes lacunas amplamente divulgadas pela imprensa nacional. Mas não é a imprensa que fala mal da vacina…

Dizem a lógica e o bom senso, como também as autoridades que mais se debruçam para estudar a questão, que as atividades econômicas só serão normalizadas, em todo o mundo, após o controle da pandemia. E a vacinação é o modo de controle mais barato e eficaz para minimizar a atual crise de saúde. Fora disso, na ausência de princípios ativos para debelar a doença, só resta o isolamento social, mesmo com todos os problemas de ordem psicológica e material que acarreta.

Os números comprovam que a Covid-19 vem ocasionando em nosso país uma verdadeira tragédia. Há tempo que o Brasil já superou a marca de 200 mil mortes. No mundo já são quase dois milhões de vidas perdidas. Portanto, o Brasil responde por mais de 10% do número de óbitos ocasionados pela Covid-19. Entretanto, a porcentagem da nossa população com relação ao mundo é de apenas 2, 6%, o que equivale a afirmar que no Brasil, o número de óbitos é quase quatro vezes maior que a média dos demais países.

Negar os números, as evidências e a ciência não ajudam em nada, apenas comprova tudo aquilo que pode ser deduzido em uma única palavra: ATRASO. As palavras do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de que o Brasil “terá a capacidade de liderar rapidamente o número de imunizações do mundo”, soa apenas como mais uma propaganda do governo para os desavisados, pois os fatos infelizmente mostram outra realidade.



Jessica Castelo

Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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