Condromalácia patelar acomete cerca de 80% da população mundial

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Dr. Danilo Lobo – Foto por Jonathan Lessa

Caracterizada pelo amolecimento da cartilagem que reveste a patela, a condromalácia patelar é considerada a principal causa de dor crônica anterior do joelho. As últimas estimativas mostram que o problema, também conhecido como síndrome patelo-femoral, acomete cerca de 70 a 80% da população mundial. Por este motivo, continua sendo objeto de estudos por todo o mundo.

O ortopedista Danilo Lobo, especialista em cirurgia do joelho na clínica Ortotrauma, explica que a cartilagem articular é o tecido que recobre todas as articulações do corpo e, como é rico em água e proteínas flexíveis como molas, tem a função de absorver impactos. Também permite que os ossos deslizem suavemente um contra o outro.

“Durante os movimentos de flexão e extensão, a patela desliza sobre uma espécie de trilho ou calha óssea do fêmur que chamamos de tróclea. Consequentemente, a cartilagem da patela é muito solicitada em movimentos como subir e descer escadas e agachar”, esclarece o médico. “Quando a condromalácia ocorre, a cartilagem da patela amolece e vai perdendo sua capacidade de absorver impacto, levando à sobrecarga do osso logo abaixo, também chamado de subcondral, causando dor”, informa.

Dentre as causas da condromalácia patelar, doutor Danilo cita o envelhecimento, alterações anatômicas, traumas no esporte, distúrbios biomecânicos e portadores de hiperfrouxidão ligamentar. Outros fatores de risco são pertencer ao sexo feminino – a condromalácia tem uma grande prevalência entre mulheres – e o excesso de peso.

No que tange aos sintomas, o especialista elucida que a condromalácia patelar, assim como qualquer condropatia, é uma doença de evolução lenta e progressiva. “Geralmente começa com um vago desconforto na parte interna do joelho, agravado pela atividade (correr, pular, subir ou descer degraus) ou por estar sentado prolongadamente com os joelhos em posição moderadamente dobrada, a chamada ‘dor do cinema’” expõe.

Conforme explana o ortopedista, havendo progressão da doença o joelho pode começar a inchar, levando à perda de força muscular do quadríceps (anterior da coxa). “Quando isso ocorre, são comuns queixas de que o joelho está falseando, ou saindo do lugar, muitos estalos e o que chamamos de crepitação, popularmente conhecido como ‘rangir’. Em estágios mais avançados, a atrofia torna-se intensa com muita fadiga muscular em movimentos do dia-a-dia como caminhar e subir escadas”, afirma.

O diagnóstico da condromalácia patelar, de acordo com doutor Danilo, é feito através da ressonância magnética. O exame classifica a profundidade das lesões, tamanho e localização. Já as radiografias podem ajudar na avaliação dos casos mais avançados, quando o paciente já desenvolveu artrose. O tratamento busca o controle da dor, seguido pela melhora na mobilidade das estruturas ao redor do joelho. Visa recuperar a força e o controle da musculatura envolvida e correção dos movimentos e do gesto esportivo.

 

Opções de tratamento

  • Orientação da modalidade esportiva: Em corredores, por exemplo, é possível manter a capacidade cardiorrespiratóriacom atividades como natação e ciclismo;
  • Fisioterapia;
  • Medicamentos analgésicos e condroprotetores;
  • Infiltração do joelho com ácido hialurônico ou Viscossuplementação;
  • Fortalecimento muscular;
  • Tratamento cirúrgico (raramente necessário). A dor na condromalácia está associada a dois fatores: desequilíbrio mecânico e lesões na cartilagem. As cirurgias devem, dessa forma, abordar um desses dois fatores. Quando indicada, uma das técnicas utilizadas é a osteotomia de realinhamento da patela. Também pode-se lançar mão de procedimentos para tratamento de lesões de cartilagem (lesões osteocondrais).


Jessica Castelo

Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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