Fibrilação atrial é fator de risco para acidente vascular cerebral

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Dr. Marcelo Maia – Foto por Erika Medeiros

A fibrilação atrial é a arritmia mais comum na prática clínica e é caracterizada por uma irregularidade do ritmo cardíaco. Um em cada cinco indivíduos com mais de oitenta anos, terá esse tipo de arritmia. Esta pode ocorrer em indivíduos com coração estruturalmente normal e estar relacionada à área de automatismo anormal.

“De outra forma, assim como outras doenças do aparelho cardiovascular, os fatores de risco como idade, obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, tabagismo e história familiar de doença cardiovascular em indivíduos jovens, geram um estado inflamatório orgânico crônico e, com isso, alterações estruturais cardíacas”, revela o cardiologista e especialista em eletrofisiologia Marcelo Maia.

Doutor Marcelo ressalta que, apesar de existir uma relação linear com a idade e o envelhecimento da população, tem-se observado a presença dessa arritmia em indivíduos cada vez mais jovens. “O principal sintoma é a palpitação, no entanto, sintomas como dispneia (falta de ar), intolerância aos esforços, edema de membros inferiores e alterações neurológicas podem estar presentes”, aponta.

Vale lembrar que grande parte desses indivíduos são assintomáticos e com isso têm um risco aumentado de complicações secundárias. Um indivíduo portador de fibrilação atrial, conforme explica o especialista, apresenta um risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico cinco vezes maior, e quando associada à doença da válvula mitral (estenose mitral), esse risco aumenta em dezessete vezes.

“Além disso, sabemos que pequenos AVCs, ocorridos ao longo de anos, levam a uma maior predisposição ao desenvolvimento de quadros demenciais. Por isso, a avaliação médica detalhada, a investigação diagnóstica e o tratamento adequado e individualizado, fazem diferença no prognóstico e evolução clínica”, relata o médico. “Hoje disponibilizamos de sistemas de monitoramento eletrocardiográfico de até trinta dias (monitor de eventos), com avaliação diária e remota dos traçados eletrocardiográficos”, informa.

Ainda segundo doutor Marcelo, o tratamento medicamentoso e o tratamento invasivo (ablação por cateter) para controle do ritmo cardíaco, assim como o uso de anticoagulantes orais, são ferramentas importantíssimas na prevenção do AVC relacionado à fibrilação atrial. “Usualmente, se indica a ablação por cateter quando existe falha no tratamento medicamentoso, no entanto, em algumas situações específicas, é a primeira opção”, diz.

O procedimento

De acordo com o especialista, a ablação com cateter é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral. O objetivo é realizar aplicações de radiofrequência, através de cateteres, com consequente lesão das áreas envolvidas na arritmia. Geralmente, o paciente tem alta com vinte e quatro horas de internação.

“Esse tratamento, em casos selecionados, quando comparado ao tratamento medicamentoso, apresenta melhores resultados. Isso faz com que tenhamos uma menor taxa de morbi-mortalidade, menor taxa de internação futura por arritmia ou descompensação cardíaca e melhora significativa na qualidade de vida”, elucida.

 

Dr. Marcelo Maia atende na avenida Francisco Lacerda de Aguiar, Gilberto

Machado, 177, sala 108 – Cachoeiro de Itapemirim. Telefone: (28) 3522-0844. E-

mail: marcelo.dacostamaia@gmail.com.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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