Luxação recidivante de patela tem tratamento cirúrgico

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A luxação da patela ou da rótula é caracterizada pela perda da relação anatômica normal entre o sulco femoral distal e um pequeno osso que fica a sua frente chamado patela. Com relação à origem do problema, pode ser traumática ou por defeito anatômico. Em alguns casos, o trauma é mínimo ou apenas uma torção do joelho, mas já pode levar a rótula a sair do seu lugar normal.

O tratamento inadequado da patologia pode levar à recorrência da mesma, ou seja, a articulação tornar-se instável. Esses casos são chamados de luxação recidivante de Patela. Conforme explica o ortopedista Vinicios Barreto, do Instituto do Joelho, o tratamento é essencialmente cirúrgico e visa a corrigir os fatores predisponentes.

“Na instabilidade patelar, após o primeiro episódio sem sucesso com tratamento conservador, já pode ser indicada a cirurgia. A reconstrução do ligamento patelofemoral medial (LPFM) é considerada o procedimento principal, especialmente após traumas do joelho”, expõe o médico.
Segundo o especialista, a LPFM atua como o principal restritor ligamentar ao deslocamento lateral da patela entre 0° e 30° de flexão do joelho. Por suas propriedades biomecânicas, é essencial para o controle da cinemática normal da articulação patelofemoral. “No episódio da primeira luxação patelar traumática ocorre ruptura parcial ou total dessa estrutura anatômica, lesão considerada essencial para o desenvolvimento de luxações recidivantes”, explica.
Doutor Vinicios relata que os primeiros relatos dessa reconstrução foram feitos por Sugamuna et al. em 1990, que usou autoenxerto tendíneo, e por Ellera Gomes, com o uso de enxerto sintético. “Na literatura existem descrições de diferentes técnicas cirúrgicas, com opções de reconstruções estática e dinâmica, porém, nenhuma é considerada o padrão-ouro”, informa.

O tratamento da instabilidade patelar, ainda conforme elucida o ortopedista, é um procedimento alacarte. “É necessário reconstruir o LPFM, testar a estabilidade da patela e associar outras técnicas, caso tenha instabilidade ou defeitos anatômicos que necessitem a busca da estabilidade da patela”, completa.

 

Foto por Erika Medeiros



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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