Meu filho não quer ir para a escola, e agora?

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Se seu filho vive reclamando e arruma desculpas para não ir à escola, preste atenção, pode ser muito mais do que uma simples manha. “Algumas crianças podem sentir tanta ansiedade frente ao ambiente escolar, que antes de irem para escola, choram, fazem birra e manifestam sintomas como dor de cabeça, dor de barriga, enjoo ou sonolência sem nenhuma justificativa médica, e que desaparecem ao longo do dia caso consigam evitar a ida à escola”, relata a psicóloga Tatielly Baião Bonan.

Seja qual for a razão da recusa em ir à escola, a profissional explica que os pais não devem tornar o ambiente da casa uma colônia de férias caso o filho não vá à aula. “Ele deve entender que se está ‘doente’, tem que ir ao médico, fazer repouso, se alimentar bem, cumprir com algumas obrigações e que os pais seguirão com suas próprias rotinas. Ou seja, ficar em casa não pode ser sinônimo de diversão”, orienta.

Conforme salienta Tatielly, os pais também não devem chantagear a criança e oferecer recompensas para que ela vá à escola, pois a criança precisa aprender a apreciar o ambiente escolar, a aprendizagem e as amizades.

“Se ainda que com alguma resistência conseguir levar a criança à escola, lembre-se de não ficar prolongando a despedida no portão; as crianças costumam chorar, dar dezenas de abraços e beijos de despedida e se agarrarem nos pais. Procure ser o mais objetivo possível nesse momento, despeça-se apenas uma vez e não fique conversando ou convencendo a criança”, recomenda a psicóloga.

Ainda de acordo com a profissional, na maioria das vezes, assim que os pais vão embora a criança se envolve com a rotina da escola e para de chorar. “Se com o tempo o comportamento de evitar a escola não melhorar, procure um psicólogo infantil para juntos entendermos o que está acontecendo e poupar a todos de tamanho sofrimento, permitindo que a criança encontre o prazer de estudar junto com os amigos e a professora”, conclui.

 

O que pode estar acontecendo?

Vejamos algumas possibilidades que precisam ser analisadas:

– Os pais confiam na escola escolhida? Confiam e gostam da professora? Caso se sintam inseguros, podem transferir esse sentimento para a criança.  Eles também devem verificar se contam histórias sobre seus antigos professores, provas ou amizades que gerem medo na criança.

– Como está o nível de independência da criança? Se a ela for muito dependente dos familiares para comer, se vestir, se limpar, brincar, etc., ela pode temer não ser atendida nessas necessidades na escola. O mesmo medo pode ser sentido pelos pais, de qual maneira irão cuidar de seu filhinho.

– Se a criança vem de um lar no qual impera sua vontade, pode se sentir desconfortável e frustrada ao chegar num ambiente onde ela tem que dividir os brinquedos e a atenção da professora, além de não poder fazer só o que deseja e na hora que quer.

– É preciso verificar junto à escola se a criança não passou por algum tipo de bullying ou brincadeira na qual perdeu na competição, conflito com algum coleguinha, isolamento, ou se está tendo algum tipo de dificuldade escolar.

– Caso o início da vida escolar coincida com o nascimento de um irmãozinho, com o divórcio dos pais ou recasamento, a criança pode desenvolver a fantasia de que está sendo abandonada na escola.

– Reflitam se a criança anda tendo menos atenção do que necessita, pois tudo isso pode ser uma estratégia de obter carinho e prolongar o tempo de permanência com os pais.

 

Tatielly Baião Bonan – Psicóloga especialista em Terapia cognitivo-comportamental, Terapia de família e Coach Parental (CRP 1314/16)

Family Care – Rua Anacleto Ramos, 63, Bairro Ferroviários. Telefone: (28) 99959-0650. Siga Tatielly no instagram: @tatiellybonan

 

A psicóloga Tatielly Bonan

Foto por Erika Medeiros



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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