Recomendações para quem pretende engravidar após a bariátrica

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Ferramenta eficaz indicada em alguns casos específicos de obesidade, a cirurgia bariátrica pode estar associada ao nascimento de bebês mais saudáveis. É o que concluiu uma pesquisa realizada por um grupo de cientistas do Québec, no Canadá. Alguns estudos já haviam apontado que filhos nascidos de mulheres que passaram pelo procedimento apresentavam menor risco de manifestar excesso de gordura e hipertensão quando comparados aos irmãos nascidos antes da intervenção cirúrgica.

Um fato interessante, confirmado pelo cirurgião bariátrico e metabólico André Mattar, é que a fertilidade da mulher aumenta após a cirurgia. “Isso porque a obesidade leva a um déficit relativo dos hormônios femininos. Após o emagrecimento há melhora do perfil hormonal da mulher, tornando-a mais fértil”, revela.

Vale ressaltar, entretanto, que a mulher que deseja engravidar deve esperar no mínimo um ano após a cirurgia bariátrica. Esse tempo é necessário para que o metabolismo se adapte à nova rotina alimentar e a perda de peso esteja relativamente estabilizada. Conforme explica doutor André, no primeiro ano após o procedimento a paciente emagrece muito e pode ter déficit de vitaminas e minerais, o que pode atrapalhar a gravidez.
Além de aguardar para engravidar, é importante que a mulher pós-bariátrica tenha alguns cuidados durante e após a gestação, garantindo uma gravidez saudável.

De acordo com o especialista, uma alimentação balanceada, rica em proteínas, além de suplementação vitamínicos e mineral adequada, são medidas fundamentais. Nesse sentido, o acompanhamento de um nutricionista é de grande ajuda.

 

Bebês mais saudáveis

Na pesquisa canadense citada, ao acompanhar um grupo de 50 irmãos com idades entre 2 e 25 anos, metade nascidos quando a mãe ainda era obesa e metade nascidos após a redução de peso, os pesquisadores identificaram mais de 5 mil genes com expressões diferentes na criança mais nova e na mais velha. Boa parte desses genes está associada a inflamações, doenças vasculares e controle do metabolismo da glicose. A mudança nessas estruturas explicaria a vantagem que as crianças têm quando nascidas após o procedimento.

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo sugerem que a mudança do fenótipo da mulher – ou seja, nas características que podemos observar de cada pessoa, como a cor da pele, dos fios de cabelo e, no caso, o fato dela deixar de ser obesa mórbida para ter um peso controlado – influencia permanentemente a formação do bebê.

 

O cirurgião bariátrico e metabólico André Mattar

Foto por Erika Medeiros



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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