Toxina botulínica no tratamento de condições neurológicas

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Dr. Ricardo Miranda – Foto por Erika Medeiros

A toxina botulínica, mais conhecida como Botox, é famosa por seus efeitos potentes em rugas e linhas de expressão, e tem sido utilizada massivamente no universo da estética. O que algumas pessoas não sabem, porém, é que o poder dessa neurotoxina vai muito além da promoção do rejuvenescimento. Ela tem sido usada com sucesso no tratamento de diversas condições neurológicas, conforme elucida o neurologista Ricardo Coelho Miranda.

“Por ser uma toxina que bloqueia parcialmente a atividade muscular, e atuar em vias neuronais da dor, ela pode ser utilizada em várias condições neurológicas onde um ou vários músculos do corpo encontram-se contraídos e enrijecidos de maneira involuntária”, explica o especialista. “Tem também ação nos casos de dor crônica, como a enxaqueca refratária, e em condições onde há salivação ou sudorese excessivas (pois a toxina também atua nas glândulas salivares e sudoríparas)”, completa.

Falando sobre a aplicação da toxina botulínica e sua ação nos pacientes, doutor Ricardo explica: “A toxina é aplicada no próprio consultório médico, na maioria das vezes. Em alguns casos selecionados, como em crianças, há necessidade de sedação em centro cirúrgico. Normalmente é feita uma consulta e avaliação inicial para direcionar os músculos e doses a serem utilizadas. A ação esperada é o relaxamento muscular ou o bloqueio da secreção das glândulas”.

No que tange aos benefícios alcançados com o procedimento, o neurologista relata que o paciente pode ter ganho de função nos membros enrijecidos, melhora das dores crônicas e diminuição dos movimentos involuntários (como os espasmos faciais), com ganho de qualidade de vida. “Há necessidade de reaplicação em média a cada três a cinco meses, pois a toxina vai perdendo o efeito após esse período”, ressalta.

 

Principais indicações 

  1. Na espasticidade, condição em que um ou mais membros ficam contraídos por doenças como o AVC, a paralisia cerebral (principalmente crianças e adolescentes com dificuldade para andar em função das pernas “endurecidas”) e sequelas de traumas cranianos;
  2. Nas distonias, onde há movimento involuntário tipo torção, como no caso do torcicolo, tremores na cabeça, espasmos involuntários da musculatura facial (espasmo hemifacial e blefaroespasmo);
  3. Na enxaqueca crônica refratárias às medicações convencionais;
  4. Em casos de salivação excessiva (por exemplo, nos pacientes com paralisia cerebral e doença de Alzheimer avançada).

 

Dr. Ricardo Miranda atende na Avenida Francisco Lacerda de Aguiar, salas 701 702, 185 no Edifício Arpoador – Gilberto Machado – Cachoeiro de Itapemirim (ES). Contato: (28) 35150787.



Jessica Castelo

Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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