“Língua presa” pode acarretar alterações na fala e outros problemas

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Jakliny Scarpi – Foto por Erika Medeiros

O freio lingual, ou frênulo da língua, conecta a mesma ao assoalho da boca, permitindo o movimento livre da língua. A “língua presa” é uma anomalia congênita, mas não rara, resultando em redução do movimento da língua. O problema acomete quatro vezes mais meninos do que meninas. O termo popular define o que é conhecido cientificamente como Anquiloglossia e anciloglocia.

“Pesquisas apontam que a ‘língua presa’ não possui causa específica”, explica a fonoaudióloga Jakliny Scarpi, da clínica Fonocenter. “Alguns estudos genéticos sugerem que uma das causas é a hereditária e outro fator de risco é o uso da cocaína por gestantes. A língua-presa é três vezes mais provável de ocorrer com o uso de drogas envolvido”, expressa.

A profissional relata que a anomalia pode acarretar alterações relacionadas a problemas de fala, alimentação, higiene bucal, além de consequências de desenvolvimento social. “Em alguns casos pode ser recomendado ao paciente que faça abordagens cirúrgicas, como exemplo a frenotomia, frenulectomia e cirurgia de liberação do laço língua. A frenotomia a laser ou frenulotomia tem sido utilizada também, e é defendida pois sua utilização pode ser mais exata e tem um pós-operatório menos doloroso comparado à cirurgia convencional”, revela.

Em adultos que tenham língua presa, conforme elucida Jakliny, a intervenção cirúrgica não se faz necessária. “O tratamento fonoaudiológico será suficiente. Esse método consiste em trabalhar as estruturas orofaciais, ou seja, língua, boca e bochecha. Em outros casos é indicada a cirurgia e, após, a avaliação fonoaudiológica para verificar a necessidade do acompanhamento quanto à musculatura, fala e deglutição”, aponta.

Diagnóstico precoce

O teste da linguinha é um exame simples, rápido e indolor. Ele verifica se há alterações no frênulo lingual desde o nascimento. O diagnóstico precoce possibilita indicar o tratamento das limitações dos movimentos da língua que podem comprometer no recém-nascido funções como: sugar, dificuldade na amamentação devido a problemas como dor associada mamilo, bem como a interrupção do aleitamento materno e ganho de peso inadequado, além de outros problemas de saúde e dificuldade em engolir.

O teste da linguinha é padronizado e deve ser realizado por um profissional qualificado. Recomenda-se que a avaliação seja realizada na maternidade.

Caso seja diagnosticado como alterado, considera-se o grau apresentado e a necessidade de correção imediata, pois quando realizada em recém-nascida esta é indolor e não sangra. Quanto maior a criança, mais resistente e espesso se torna o freio.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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