Adolescência exige que os pais revejam seu modelo de educação

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A psicóloga Tatielly Baião Bonan

Se seu filho é adolescente, talvez você já tenha se deparado com inúmeros temas presentes nessa etapa do desenvolvimento, como liberdade, sexualidade, uso das redes sociais, distúrbios alimentares, acesso ao álcool e outras drogas, pressão pela escolha profissional, entre outros. E como você tem lidado com isso?

A psicóloga Tatielly Baião Bonan, que atua em Terapia cognitivo-comportamental, Terapia de família e Coach Parental, ressalta que nem sempre é fácil para os pais verem que os filhos crescem e parecem depender cada vez menos deles, fazendo com que tenham que rever seu modelo de educação. “O mais comum é termos paciente adolescentes cujos pais ainda agem como se o filho fosse criança, pois não amadureceram o exercício da parentalidade”, relata.

 

Conforme orienta a terapeuta, é necessário haver compreensão quanto ao que está ocorrendo com o jovem. E isso é para além das mudanças físicas visíveis como partes do corpo em crescimento, odores e pelos, que por si só representam algo complexo de ser vivenciado. “Compreender e aceitar o novo corpo em constante mudança pode causar muita insegurança, ainda mais se desta surgem apelidos e brincadeiras desagradáveis”, reflete.

As alterações internas, hormonais e fisiológicas são responsáveis por alguns comportamentos típicos dos adolescentes – salienta Tatielly. “Veja só, milhares de novas conexões cerebrais estão em andamento, levando o jovem a ter muita necessidade de experimentação; junte isso aos hormônios sexuais que passam a ser produzidos e o inevitável acontece: a aproximação sexual entre os pares e o apetite por experiências prazerosas”, expõe.

Além disso, a psicóloga explica que nessa fase da vida o córtex órbito-frontal não está plenamente desenvolvido. “E sabe pelo que essa área é responsável? Por controlar a impulsividade através da capacidade de análise, julgamento e decisão”, informa. “Sendo assim, temos um cenário propício que trará os pais ao consultório com inúmeras queixas quanto aos comportamentos sexuais de seus filhos adolescentes, experiências que vão desde o beijo na boca à relação sexual, em interações homo e/ou heteroafetivas”, diz.

Se os filhos cresceram, os pais não podem permanecer com as atitudes que usavam para educar as crianças, como apenas brigar, confiscar celular e proibir algumas amizades. Isso porque, conforme salienta a terapeuta, a situação é bem mais complexa e essas ações não levarão ao que agora é extremamente necessário: ajudar o adolescente a refletir, a tomar decisões pertinentes à sua proteção, saúde, segurança e integridade. “Se os pais não se prepararem para esse tipo de conversa, o resultado de tantas proibições pode gerar um grande problema: o uso de mentiras por parte do adolescente”, alerta.

 

Busque orientação

A psicóloga ressalta que os pais não podem negligenciar as particularidades dessa fase do desenvolvimento. Eles precisam ler, assistir vídeos, enfim, se informar sobre o assunto e buscar orientação psicológica. Isso os ajudará a entender como conduzir uma conversa com os filhos, ajudando-os a amadurecer quanto às consequências de suas escolhas, quanto ao impacto que as mesmas causam neles e em quem está próximo.

“Da próxima vez que seu filho ‘aprontar’, use perguntas que favorecem a reflexão, por exemplo: O que você imaginou que aconteceria?; E agora que não saiu como previsto, como acha que pode resolver?; Que atitude nós podemos ter que o ajudará a se lembrar de não repetir isso?”, propõe Tatielly, que acrescenta: “Esteja pronto para um diálogo, e não um sermão”.

 

Tatielly Baião Bonan é Psicóloga especialista em Terapia cognitivo-comportamental, Terapia de família e Coach Parental (CRP 1314/16). O Family Care está localizado no Shopping Cachoeiro: Rua 25 de Março, 33, sala 212 – Centro. Telefone: (28) 99959-0650. Siga Tatielly no Instagram: @tatiellybonan.

 



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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