Covid-19 também tem acarretado impactos em diversos setores

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Por Wagner Medeiros Junior

Superintendente do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim/ Economista e Especialista em Gestão de Saúde

Embora a maioria das pessoas infectadas pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e suas variantes, apresente sintomas leves, ou mesmo imperceptíveis (cerca de 80% dos casos), o agravo da COVID-19 tem ocasionado perdas enormes em escala global. Entretanto, isso não se manifesta apenas pela perda de vidas. No mundo já são mais de 3,3 milhões de óbitos; no Brasil já ultrapassa a marca de 430 mil vidas. Isto envolve o psicológico de todos, haja vista que qualquer pessoa, mesmo não fazendo parte dos grupos de risco, não está isenta dos agravos da doença.

Não obstante aos problemas da saúde, a COVID -19 também tem acarretado vultosos impactos de ordem cultural, econômica, política e social, que alcançam um contingente muito maior do que o número de infectados. Entre esses problemas, destaca-se o aumento da pobreza e do desemprego, que atinge principalmente os países com sistema econômico mais vulnerável e os países pobres. No primeiro grupo encontra-se o Brasil, que no ano passado viu despencar o seu Produto Interno Bruto (PIB) em 4,1%. Este foi um dos piores indicadores da série histórica do PIB brasileiro.

Outro impacto danoso observado foi o aumento da violência doméstica, que atinge principalmente as mulheres.  Somente no ano passado as estatísticas demonstram que este tipo de crime, no Brasil, aumentou em mais de 35%. Não à toa a violência doméstica passou a fazer parte ativa dos noticiários em nosso país, lamentavelmente também incluindo crianças e idosos.

No entanto, de acordo com a exposição de diversos especialistas, os estragos da pandemia continuarão a refletir no futuro, durante um longo tempo, ao atingir uma grande quantidade de jovens e crianças, principalmente àqueles que dependem das escolas públicas. A questão é que muitos sequer têm acesso a computadores e ficará uma enorme lacuna no processo de aprendizagem. Por sua vez, os jovens terão maior dificuldade tanto em sua formação profissional, quanto na introdução ao mercado de trabalho.

A única saída para essa crise abrangente é a vacinação de todos, de forma a atingir ao que cientificamente é chamado por imunização coletiva. Infelizmente, no Brasil a vacinação começou atrasada e vem sendo realizada a passos lentos, dada a escassez de imunizantes, muito aquém da capacidade do SUS. Enquanto o Brasil não atingir o ponto mínimo da imunização coletiva necessária, que é em torno de 70% da população, é fundamental que todos tenham consciência dos cuidados básicos para prevenção da doença. Só dessa maneira evitaremos um número ainda maior de mortes e dos demais impactos dessa pandemia.

 



A revista Viver! é publicada mensalmente há mais de 17 anos com circulação no Espírito Santo. Trata-se de uma das mais importantes revistas de saúde do Brasil, com centenas de especialistas em prol do dilema "Informação que faz bem".


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