Queda com apoio sobre as mãos pode ocasionar fraturas nas mesmas

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O ortopedista Rafael Moreira Mattos – Foto por Erika Medeiros

Quando se está prestes a cair no chão, a primeira coisa que se faz é estender os braços e colocar as mãos em frente ao rosto para amenizar a queda e proteger o corpo. Conforme explica o ortopedista Rafael Moreira Mattos, especialista em cirurgia de mão da clínica Ortotrauma, trata-se de um reflexo de proteção, principalmente da face e cabeça, no intuito de proteger as estruturas nobres do crânio.

Segundo o médico, as fraturas decorrentes de queda com apoio sobre as mãos são muito comuns, e as fraturas resultantes das mesmas variam de acordo com a idade e a posição em que a mão e o cotovelo se encontram no momento do trauma. “Em pacientes mais jovens, é necessária uma energia maior para fraturar o osso, consequentemente levando a fraturas potencialmente mais graves (cominutivas ou multifragmentadas) com maior lesão dos tecidos moles adjacentes, ou caso o trauma não seja tão severo, fraturas sem desvio”, revela.

“Em idosos, devido à osteoporose, um trauma menos intenso é suficiente para fraturar os ossos ao nível do punho, levando a uma fratura característica da osteoporose – a fratura de Colles”, explana o especialista. “Fraturas cominutivas com menor lesão de partes moles também são comuns no idoso”, acrescenta.

Ainda segundo o médico, sempre é necessária a avaliação com um especialista após o trauma. O diagnóstico é feito com uma anamnese bem feita, para esclarecimento do mecanismo do trauma, exame físico detalhado e exames de imagem complementares – radiografias, tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética.

No que diz respeito ao tratamento, o ortopedista revela que dependerá do tipo de lesão. “As fraturas sem desvio e estáveis podem ser tratadas de forma conservadora, com imobilização por um período adequado para consolidação, seguida de reabilitação com fisioterapia. As fraturas desviadas, cominutivas ou instáveis têm, como regra, indicação de tratamento cirúrgico, assim como as lesões ligamentares do carpo”, diz.

A fim de evitar lesões ao cair, na medida do possível, algumas medidas podem ajudar. “Tente procurar apoio lateral, em corrimãos e paredes, no intuito de reduzir a velocidade da queda. Pessoas com limitações de visão ou alterações do equilíbrio são particularmente mais vulneráveis. Vale ressaltar a necessidade do diagnóstico e tratamento da osteoporose para melhora da qualidade óssea, a fim de prevenir fraturas mais complexas em idosos”, completa doutor Rafael.

 

O que fazer?

Após todo trauma, sempre utilizar gelo para controle do edema (inchaço) e da dor. Fraturas e luxações do punho ou dedos com deformidades grosseiras são facilmente identificáveis, e é importante não “puxar para o lugar” o membro acometido. Dores persistentes ao nível do punho e dedos, que não cedem após uso de gelo e analgésico simples, mesmo sem deformidades, sempre devem ser avaliadas por um especialista. O “pulso aberto” pode ser na verdade uma fratura de ossos do carpo, do rádio distal ou uma lesão ligamentar séria do puinho, que necessite de tratamento cirúrgico.



Editora da revista Viver!, uma das mais importantes revistas de saúde do país. A publicação Sul capixaba circula mensalmente há mais de 17 anos.


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